Reportagem Diário da Região

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MODELO DE NEGÓCIOS CONQUISTA ESPAÇOS

Rio Preto ocupa a 8ª posição no ranking das cidades paulistas com unidades franqueadas, segundo ABF

O modelo de negócios é super atual e vem ganhando espaços no mercado nos últimos anos. É o franchising, ou sistema de franquias, que demonstra muito fôlego no mercado do Noroeste paulista. Rio Preto é a oitava cidade paulista no ranking do setor, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) registrados no ano passado. O município conta com 492 unidades franqueadas, equivalentes a 1,8% no total paulista. Em relação a 2015, a cidade ganhou uma posição e a melhora no ranking se deve ao aumento no número de unidades em 2016, de 5%. Já o número de redes instaladas cresceu 1%, passando de 223 para 226. O sistema de franquias, ou “franchising”, é o modelo pelo qual uma empresa (franqueadora) cede a outro empreendedor (franqueado) o direito de fazer uso de sua marca ou patente, distribuir seus produtos ou serviços e utilizar sua tecnologia e conhecimento de negócios. “O franchising brasileiro enfrentou com muito profissionalismo e dedicação o desafiador cenário econômico brasileiro e, com isso, preservou suas operações”, declarou Altino Cristofoletti Júnior, presidente da entidade. “Atribuímos este desempenho à preparação que o setor vem adotando desde 2012, à busca incessante por eficiência e novos mercados e a ações para atrair um consumidor ainda retraído. Além disso, a operação em rede foi mais importante do que nunca, favorecendo a renegociação de custos, a troca de experiências e o desenvolvimento conjunto de novas estratégias.”

Surgimento

Apesar de super atual, o sistema de franchising surgiu no século 19, nos Estados Unidos, como solução para empresas que tinham problemas em distribuir seus produtos e expandir suas marcas após a guerra civil. A primeira a adotar o modelo foi a fábrica de máquinas de costura Singer, que estabeleceu uma rede de revendedoras no país. Durante os anos 50, redes como McDonald’s, Burger King e Dunkin Donut’s surgiram nos EUA e, a partir dos anos 70, franqueadoras norte-americanas abriram unidades fora do país. No Brasil, o modelo começou a se destacar nos anos 60, com redes de escolas de idiomas como Yázigi e CCAA, mas foi somente na década de 90, com o impulso dado pela globalização e pela internet, que o franchising teve sua ascensão nacional. Em 1994 foi criada a Lei nº 8.955/94, que detalha o conceito do modelo, dispõe sobre o contrato e outras providências.

Expansão

Segundo a pesquisa da ABF, em 2016 o número de unidades de franquias em operação no País totalizou 142.593, uma expansão de 3,1% frente a 2015, quando foram registrados 138.343 pontos de venda (PDVs). A taxa de mortalidade no ano foi de 5,1%. “Com a retração do PIB e do consumo de forma geral, houve um aumento desse indicador dentro da margem esperada. Além de estar sempre alerta, este é o momento que o empreendedor deve estar próximo à operação e ao franqueador para realizar as ações necessárias com agilidade”, explica Claudio Tieghi. De acordo com o levantamento, o número de redes de franquia em atividade no Brasil no ano passado foi de 3.039, registrando um decréscimo de 1,1% em relação a 2015, quando havia 3.073 marcas. Segundo o presidente da ABF, o dado revela um maior amadurecimento do franchising brasileiro, em que há menos marcas com mais unidades. A ABF desenvolveu a partir de 2016 uma nova classificação dos segmentos do franchising que possibilitou fornecer ao mercado uma radiografia mais precisa da participação de cada um dos 11 segmentos e dos respectivos subsegmentos no mercado. “A reclassificação fortaleceu a representatividade e proporcionou uma leitura mais apurada dos diversos segmentos, subsegmentos e dos ramos de atuação das redes”, explica Claudio Tieghi. Os segmentos foram classificados como Alimentação; Casa e Construção; Comunicação, Informática e Eletrônicos; Entretenimento e Lazer; Hotelaria e Turismo; Limpeza e Conservação; Moda; Saúde, Beleza e Bem-Estar; Serviços Automotivos; Serviços Educacionais e Serviços e Outros Negócios.

Interiorização

Outro movimento positivo captado pela pesquisa foi a permanência da expansão das redes de franquia para o interior do Brasil. Em 2016, o franchising alcançou 42%, ou 2.321 dos 5.570 municípios brasileiros, tendo registrado presença em 40% das cidades no ano anterior. De acordo com Claudio Tieghi, diretor de inteligência de mercado da ABF, “esse é um movimento crescente do franchising, que acompanha o próprio varejo de uma forma geral. A maior capilaridade das redes para cidades menores, fora dos grandes centros urbanos, deverá se manter nos próximos anos. A busca das redes por novos mercados, os custos mais baixos e o desejo dos consumidores em ter acesso a marcas conhecidas e a seus produtos e serviços são fatores que contribuem para esse movimento.” Nas grandes cidades, a estratégia de expansão tem avançado para bairros mais distantes por meio de outros formatos de operação, segundo a ABF.

Setor apresenta forte crescimento em 2017

Veia empreendedora e necessidade de alternativas ao desemprego impulsionam os negócios

 

Engatado no movimento de reaquecimento da economia, o setor de franquias apresenta expressivo crescimento. Pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) constatou que o setor de negócios em rede apresentou uma expansão nominal de 9,4% no primeiro trimestre de 2017, com o faturamento no período passando de R$ 33,7 bilhões para R$ 36,8 bilhões. Em termos de número de unidades, a expansão registrada foi de 2,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Marcos José Amâncio, gerente do Sebrae de Rio Preto, comenta que diariamente a entidade é procurada em Rio Preto por empresas interessadas em transformar sua marca em franquia e por pessoas que pretendem investir em uma unidade franqueada. Contribuem para isso dois aspectos locais: a forte veia empreendedora que a população do município apresenta e a necessidade de muitas pessoas encontrarem uma fonte de renda em virtude das dificuldades em encontrar emprego. A procura aquecida por negócios no setor é também sentida por franqueadores. “Na contramão da crise, o mercado de franquias se mantém aquecido”, afirma Thaila Maria Maschio Leandro, diretora administrativa da Rede Cartório Fácil. A empresa atua há cinco anos no mercado, quatro como franqueadora e associada à ABF, com 130 unidades comercializadas no País. A rede detém um portfólio com mais de 200 serviços ao público, incluindo busca de segundas vias de certidões e documentos em todo país (intermediação cartorária), seguros, crédito consignado, certificado digital, vistos e passaportes e cartão de crédito. Thaila explica que o principal quesito para alguém ser franqueado é ter perfil empreendedor. É preciso possuir “dinamismo e que tenha o seu lado comercial ativo, seja comunicativo e proativo”. Para facilitar o negócio, a rede facilita o pagamento da taxa de franquia, parcelando 50% do valor em até 15 vezes no cartão. “Quem adquire uma franquia tem as vantagens de iniciar um negócio contando com a credibilidade de um nome ou marca já conhecida no mercado, existência de um plano de negócios, melhor planejamento dos custos de instalação, suporte da franqueadora entre outros benefícios”, explica Thaila. “Nós recebemos contatos diariamente de interessados em adquirir uma unidade. Amâncio comenta que existem no mercado de franquias muitas oportunidades de bons negócios, mas são necessários alguns cuidados. Primeiro, é preciso conhecer o histórico do franqueador, obtendo informações por meio de franquiados da rede e outras fontes. O próprio Sebrae pode ajudar nisso. Além disso, o candidato a franqueado precisa se identificar com o negócio. Se ele quer abrir uma pizzaria, mas não quer trabalhar à noite ou aos domingos, isso pode ser um forte inibidor. O ideal é que a pessoa tenha certa familiaridade com a atividade, mas nada impede que ela se capacite para isso. O Sebrae oferece uma série de cursos e atendimentos para interessados. Além destas capacitações, o empreendedor pode utilizar os serviços de consultoria nas áreas de marketing, gestão de pessoas, finanças, jurídica, planejamento estratégico e franquias. Em Rio Preto, a entidade fica na rua Presciliano Pinto, 3184.

Taxa de sobrevivência maior

A abertura de uma franquia significa, para muitas pessoas, a realização do sonho do negócio próprio. De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), apenas 15% das franquias fecham em até cinco anos após a inauguração, contra 80% das empresas normais. O modelo oferece vantagens ao franqueado, como a experiência da franqueadora, o conhecimento do negócio e o nome de uma marca consolidada no mercado. Apesar das condições facilitadoras, o interessado deve procurar saber tudo sobre as possibilidades e riscos da aquisição do empreendimento. Em sites como o da ABF (www.abf.com.br/). Após ter tomado a decisão de se tornar um franqueado e escolhido o segmento da franquia, o candidato deve se informar sobre os investimentos necessários, detalhes sobre a empresa franqueadora, taxas a serem pagas e simulações de resultados. É importante saber o valor de investimento, o prazo de retorno e o capital de giro necessário. A persistência e a determinação são essenciais contra uma possível desmotivação durante os primeiros meses. É preciso ter consciência das projeções de lucratividade, e de que a maioria dos negócios demora de seis meses a um ano para atingir o ponto de equilíbrio – quando as despesas são equivalentes à receita. O lucro começa a aparecer depois de um ano e meio a dois de iniciada a franquia.  (Colaborou Agência Sebrae)